Capítulo 042 - Reflexões sobre a vida nômade
Entrevistado: Mateus Leite
Episódio lançado em: 02/12/2019
Música de Abertura: - Evil in your Eye (Church of the Cosmic Skull)

A história do Mateus Leite faz diversas intersecções com a minha própria história.

Ele é um dos raros convidados que eu conheci previamente à existência do Podcast Nômade e de certa forma é uma pessoa que tenho no meu ciclo mais próximo, que de certa forma sempre me traz clareza das minhas próprias evoluções. De tempos em tempos conversamos, nos atualizamos mutuamente em relação às nossas conquistas pessoais e profissionais, sempre partilhando insights provindos dos nossos avanços.

Sua presença no Podcast Nômade se deve ao fato de que nossa conexão o inspirou a adotar um estilo de vida nômade e ele é um assíduo consumidor de diversos conteúdos nômades. De certa forma, é uma pessoa que está nos primeiros passos da sua própria jornada nômade e sempre tem uma percepção fresquinha no que diz respeito à adaptação para um estilo de vida itinerante.

Mateus é programador natural do Acre (ok, o Acre existe… a gente já sabe…), morando em Cuiabá, porém a gente se conheceu aleatoriamente no aeroporto de Salvador, mas especificamente em um ônibus que dava acesso ao sistema metroviário da capital soteropolitana, quando íamos passar uma semana na Campus Party BA. Acampamos no estacionamento interno da Arena Fonte Nova por uma semana.

Na ocasião, eu viajava com um antigo sócio, o Allison Lima, para divulgarmos nossa antiga startup no evento. O Mateus fôra selecionado para apresentar uma palestra que ele criou chamada “O Paradóxo TCC” (ou algo parecido). Na prática, simplesmente um projeto inventado do nada para viajar pelo circuito de Campus Party brasileiras. Mateus é muito safo!

É importante dizer que além do Allison, minha companheira Maria e Lenilson viajaram comigo nessa semana. Mal sabíamos que meses depois nós viraríamos sócios de uma plataforma de psicologia. Acompanhando o Mateus, havia também o Tom Benevides, colega de programação do Mateus.

Depois de tantos altos e baixos eu sinto que a maioria esmagadora dos avanços da minha vida são sutis. Se eu olho para trás e vejo onde eu estava, eu me dou conta do quanto eu evoluí, mas raros são de fato os momentos que me marcam… Os pontos de virada, ou como o empresário Flávio Augusto fala, os pontos de inflexão. A semana da Campus Party, foi um ponto de inflexão para mim. E Mateus presenciou essa guinada em outra direção.

Foi nessa viagem que eu resolvi finalmente acreditar em mim mesmo. Foi nessa viagem que eu escrevi de próprio punho minha carta de demissão e dei uma pausa, sem previsão de volta na carreira acadêmica. Eu lembro da sensação amarga provinda de uma dose alta de coragem, misturada com o sabor de uma pizza marguerita que o Tom tinha comprado. Mateus estava do meu lado naquele momento regado a muitos copinhos gratuitos do café que patrocinava o evento.

De certa forma, eu acho que inspirei muito o Mateus e confesso sempre ficar muito receoso de na realidade estar sendo uma má influência na vida dele, tanto pelas minhas atitudes durante a CPBA e depois ao criar o Podcast Nômade e aumentar ainda mais o contato dele com o nomadismo.

Algo muito bonito que eu vi dessa influência foi justamente quando imbuído de um desejo de viajar o mundo, Mateus se deu conta de que precisava de ajuda para estruturar sua mente no preparo da adaptação de uma vida itinerante. Mateus não só acompanhou o surgimento da minha plataforma, como se tornou oficialmente nosso primeiro cliente.

Ao ouvir vários episódios do Podcast Nômade, ele decidiu fazer terapia para se organizar emocionalmente para ser nômade.

Outra curiosidade legal de ressaltar foi a presença do Lenilson nessa viagem, pois ambos são programadores, então eles se entendiam muito mais em suas expectativas profissionais. Conhecer Lenilson por uma semana direta mexeu o juízo de Mateus, pois este se viu fazendo faculdade nos seus 24 anos e  pedindo dicas profissionais para um “pirralho de 17 anos”. Isso promoveu uma disrupção que quebrou paradigmas na mente do Mateus.

Acho muito válido registrar isso aqui. Às vezes nos vemos presos em nossas crenças e precisamos ver com nossos próprios olhos, pessoas como Lenilson, para começar a se dar conta de que aquilo que acreditamos como realidade não está escrito na pedra. Lenilson também provocou essa disrupção em mim também, e olhe que eu já tinha 28 anos e um mestrado pela Universidade Federal de Pernambuco nas costas.

Após essa conexão, já fizemos várias vídeo conferências e literalmente ontem, dia anterior a escrita deste texto eu tive uma nova call com o Mateus. Tínhamos muitas coisas para nos atualizarmos. E como dito no início, é sempre bom ter uma conexão assim para termos uma noção mais clara dos nossos avanços sutis.

Segundo Mateus, aparentemente essas nossas conexões o inspiraram a evoluir na carreira e atualmente ele tem se dedicado à gestão de tráfego. No fim, ele caminha para dar estabilidade à própria jornada como nômade. A mudança não é fácil. Sair da zona de conforto é complicado, intempestivo, porém não existe conforto na zona de crescimento e não existe crescimento na zona de conforto.

E neste ponto não há segredo, temos sempre que expandir nossa zona de conforto, até que ela cresça o suficiente para sustentar uma vida itinerante.

Gostou dessa reflexão? Ouça o episódio 042 na íntegra aqui:


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