Podcast Nômade 034: Gestão Virtual, por Kely Coutinho
Entrevistados: Kely Coutinho
Episódio lançado em: 07/10/2019
Música de Abertura: - Cavalo Manco - (Banda Calypso)

Kely Coutinho é um ser humano desses  bons de se encontrar pela jornada. Ela não precisou de muito para me deixar um sentimento bom. Você deve conhecer umas duas ou três pessoas que só de lembrar, você se sente bem. Essa é a Kely para mim.

Natural de Belém do Pará, Kely se formou em jornalismo, mas nunca exerceu plenamente a profissão. Ela entrou muito cedo no mercado corporativo. Construiu uma carreira e criou sua filha Alice. E após anos aprendendo e trabalhando árduamente nesse mundo, ela sentiu que queria conhecer outros mundos, ou melhor, ela queria conhecer o mundo por completo. Ela pegou sua experiência no mundo corporativo e adaptou seus conhecimentos de gestão para gerir clientes remotos e posteriormente transformar isso em um curso chamado Gestão Virtual.

A centelha que provocou a ignição da vida nômade de Kely foi um intercâmbio que ela fez por 2 anos na Irlanda (sempre a Irlanda). Foi quando ela sentiu o gostinho de viajar e pior que isso, percebeu que seria impossível voltar atrás. A vida que ela tinha até o intercâmbio já não fazia sentido.

Kely então comprou o livro do Casal Partiu (capítulo 025) bem no lançamento e percebeu que poderia ser ter uma ocupação remota que lhe permitisse viajar o mundo. No caso, sua primeira ideia foi justamente utilizar sua formação, até então pouco utilizada. Kely iniciou um projeto paralelo como redatora freelancer.

Aqui eu reforço o conceito de projeto paralelo, pois Kely não largou o mundo corporativo impulsivamente para começar uma nova carreira. Na realidade ela foi bem prudente e foi pegando clientes de redação nos tempos livres, até que não havia mais tempos livres, e foi quando ela tomou a fatídica decisão.

Foi difícil largar uma profissão que tinha estabilidade financeira. E por difícil, entenda que foi um baque de mais de 50% de perda financeira. Foi uma decisão difícil, mas que ela entendia como parte do processo. Afinal de contas, como redatora freelancer, ela vendia seu tempo, e se ela queria ganhar ainda mais com este ofício, ela teria que se dedicar a ele em tempo integral, e foi o que ela fez.

Kely planejou por meses iniciar sua vida nômade com sua filha Alice, mas ser nômade não estava nos planos de Alice naquele momento, isso para não falar que havia um namorado no meio do caminho (sempre tem um namorado…). e além disso, Alice estava prestes a iniciar uma carreira acadêmica. Alice decidiu não viajar com a sua mãe no momento e tudo bem. Ainda não era o momento de Alice.

Kely é a primeira pessoa que eu conheço que vai na contramão de pais e mães ao redor do mundo. A maioria dos pais querem que seus filhos façam uma graduação, um concurso ou arrumem um emprego estável, mas Kely é diferente, ela trilhou esse caminho e sabe que o que tem no final do arco-íris não tem nenhum pote de ouro. Kely tenta inspirar sua filha por outro caminho. E eu acho positivo. De certa forma, isso pode ser um exmeplo para preparar Alice no caminho da adaptabilidade, e não da estabilidade, até porque estabilidade não passa de ilusão. Tudo que temos é constante mudança.

Mas voltando para Kely, ela mudou de carreira, e para amortizar o baque financeiro que essa mudança exigia, ela juntou uma reserva financeira, além de se desfazer de carro e casa. Além disso, Kely também fez um curso do onde ela descobriu que muito do que ela fazia dentro da gestão corporativa poderia ser feito de forma virtual.

Assim ela começou a compartilhar na internet dicas e insights sobre esse tema. A recepção foi tão boa que além de conseguir clientes para que ela própria pudesse fazer a gestão virtual, sua audiência começou a pedir também para que ela ensinasse como exercer essa atividade profissional.

Esse é um excelente exemplo do que o fundador da Apple Steve Jobs costumava dizer com “ligar os pontos”. Kely praticamente criou uma  profissão do zero. Uma ocupação que lhe permite viajar o mundo, além de ajudar outras várias pessoas.

Colocando assim de forma breve em um capítulo que talvez nem chegue a 3 páginas, parece tudo muito lindo e astrologicamente alinhado, mas se você é um empreendedor assim como eu e como a Kely, certamente você sabe que houveram muitas lágrimas silenciosas pelo caminho. Lágrimas na chuva que nem aquele filme Blade Runner.

A experiência profissional, a habilidade comunicacional, a vontade de ser nômade. Estava tudo alí, mas a capacidade de juntar tudo isso e transformar em fontes de renda remotas exigiu muito suor.

Durante a entrevista ela entrega algumas ferramentas que ela utiliza como Trello, Loon, Lucidchart, entre outras. Também conversamos bastante sobre cada vez mais trabalho presencial não fazer mais sentido, afinal de contas, se nós podemos exercer nossas profissões de forma remota, qual é a lógica de enfrentar trânsito, dormir menos, se expor a riscos diários, simplesmente para bater um cartão de plástico e se forçar a ficar cum prindo uma carga horária que muitas vezes a gente consegue gerenciar e entregar resultado em menos tempo e precisa ficar ali enrolando o patrão?

Está certo que a decisão de ser nômade lhe afastou de uma vida mais estável, com um carro e casa próprios, além da proximidade com sua família e amigos, mas por outro lado, ela ganhou uma liberdade vivida apenas pelos ousados. Ela se permitiu enfrentar limites e decidir tudo sozinha. E isso é maravilhoso, pois quando enfrentamos problemas gradativos, nossa casca fica mais dura e a gente vai desenvolvendo nossa própria antifragilidade.

Gostou dessa reflexão? Ouça o episódio 034 na íntegra aqui:

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