Podcast Nômade 030: Expire Psicologia, por Heitor Alves, Maria Juliana e Lenilson dos Santos
Entrevistados: Heitor Alves, Maria Juliana e Lenilson dos Santos
Episódio lançado em: 09/09/2019
Música de Abertura: - Monster Mashup (Pomplamoose feat. Tessa Violet)

Uma palavra define esse capítulo. Amor.

Se você leu o livro de Matheus de Souza, Nômades Digitais (um guia blá blá blá), que eu recomendo muito! Você deve se lembrar que tem um capítulo que fala para a gente “inventar nosso emprego”. Pois bem, o capítulo 030 deste livro é um depoimento para quem quer ter uma boa noção do que é passar pelo processo de inventar seu próprio emprego. O capítulo 030 fala da minha primeira empresa que não foi assombrada pela palavra “insucesso”.

Olha, eu amo o que eu faço! Hoje eu sei. Eu não amo pelo sucesso que eu alcancei. Eu amo pelo processo da descoberta em si. Em uma fase de muita turbulência mental, Maria me norteou com um ensinamento que tatua meu antebraço direito: “A consciência da incerteza é o que me move”.

Eu gosto demais dessa frase, que se renova sempre com o tempo. Como disse Susane Ribeiro, no episódio 027, se pôr em movimento é uma excelente forma de nos colocarmos em rota de colisão com um propósito que vai servir para nossa vida (eu dei uma embelezada na frase).

Abraçar a incerteza é tomar o gole de coragem para se pôr em movimento. É aceitar que as coisas não vão sair do jeito que a gente espera. Para além, é parar de esperar. É parar de criar expectativas e entender que o que nos faz realmente feliz é trilhar a jornada, é viver o processo, e agora sim, sem mais delongas, eita processo sofrido da porra em estruturar uma startup!

O episódio 030 trouxe novamente meus sócios e amigos Maria Juliana e Lenilson dos Santos. É bem certo que o episódio começa meio dentro da caixinha com um pitch do que fazemos para a audiência, mais logo corrige a rota para falarmos do que o episódio em si se propõe: como estruturar uma empresa remota.

Lenilson já era meu mentor antes mesmo dele entrar na Expire. Meio que ele já era um “consultor” das minhas primeiras ideias e acompanhou de perto a minha evolução. Eu tenho esse hábito de pedir a opinião de várias pessoas sobre as mais diversas ideias que me vem à cabeça e de tanto consultar Lenilson, eu acho que a Expire chegou em um ponto que ele enxergou um valor, que o fez assumir o papel de sócio, responsável pela parte técnica da empresa.

Calhou da história da Expire se juntar a minha história como nômade. Maria e a Expire me colocaram de vez no prumo. Se não fosse por Maria, talvez hoje eu fosse apenas um imigrante em Portugal, o que já é muito bom, porém talvez não fosse para mim.

Hoje a Expire se trata de uma plataforma de terapia online, mas ela não começou assim. Quando Lenilson e Maria assumiram como sócios nós tínhamos noções básicas, mas ser uma startup é dar tiro no escuro, a Expire era uma captura de leads para psicólogos. Foi um momento que levamos 8 meses para perceber que estávamos no caminho errado. OITO MESES!

Imagine você contratar um pedreiro para levantar sua casa, e após ela estar quase pronta, você se dar conta de que você construiu ela no terreno errado. Foi o que nós fizemos metaforicamente. Tem atividades na vida que não podem ser desfeitas, a não ser abandonadas, demolidas para se refazer do zero, como eu costumo dizer por ai: “Depois de ver, não dá para desver”.

A Expire pivotou para um modelo de negócio que nós chamamos de PaaS (Psychologst as a service). Viramos uma plataforma de terapia online.

Falando hoje parece que foi em um estalar de dedos, mas não foi! Eu e Maria sofremos horrores no início, pois o 1º modelo não funcionava. Eu me sentia mal. enxaquecas constantes. Crises de ansiedades que faziam meu estômago revirar, aumentando a acidez, que culminavam muitas vezes em dores de barriga e diarréia. O primeiro modelo de negócio não rodava. Eu me sentia vendendo um produto que não funcionava.

Para piorar, era horrível ser nômade, estar longe de todo mundo e ainda sofrer a montanha russa emocional do empreendedorismo. Em março de 2019 a gente contratou o designer Murilo Carmo, e a partir daí muita coisa começou a evoluir, até o fatídico pivô, que finalmente evoluiu nosso do modelo de negócio.

Lenilson que sempre foi o mais esperto do trio, só escrevia seus códigos de programação quando ele percebia que existia um início, meio e fim muito bem delimitados de qualquer coisa que nós solicitássemos. É difícil, pois estamos lidando com um ambiente de total incerteza. Não que você precise ser religioso, mas muitas vezes obrar uma startup é uma questão de fé.

Na altura que gravamos esse episódio, eu e Maria assistimos uma série alemã na Netflix chamada Dark. foi a primeira vez que eu tive o contato com o seguinte pensamento:

Que eu tenha a compreensão de que alguns problemas não têm solução, que eu tenha a coragem de tomar uma atitude para problemas que tenham uma solução, e que eu tenha a sabedoria para compreender qual é o tipo de problema que eu estou enfrentando.

Se até aqui, essa brincadeirinha de “inventar seu próprio trabalho” está lhe soando bastante severa, é porque é dureza mesmo. Mas do caos e incerteza, vem os pequenos momentos de felicidade. Durante o episódio 030 Maria fala como tudo que tentamos fazer é remoto. Naquela época o atendimento psicológico online ainda era uma novidade. Mal sabíamos que apenas 7 meses após a publicação do episódio 030, a pandemia da Covid19 obrigaria o mercado da psicologia à se adaptar ao atendimento online de qualquer jeito.

Ouvir o episódio me trazia um sentimento de alívio. Focar no trabalho remoto. Não querer obter um local presencial para montar a empresa. Questões que fizeram com que a nossa adaptação ao trabalho remoto fosse mais rápida. De certa forma, é uma gota de alívio no mar de gatilhos de ansiedade que eu venho vivendo nesses primeiros meses da pandemia.

O atendimento psicológico online é massa para quem não pode se mover para uma clínica, mas também pessoas que podem se movimentar demais, como nômades. O Podcast Nômade tinha virado de vez um braço de comunicação da Expire. Aliás, não um mero braço de comunicação, uma atividade sinérgica.

Lenilson que tinha morado alguns meses com Pieter Levels em Bali, comentou que o Pieter costumava falar que 90% dos nômades estava fugindo de alguma coisa. Bem, eu cada vez mais, percebia que a plataforma Nomadesfera era o meu plano de fuga como eu falei no capítulo anterior e a terapia online se mostrava fundamental para assimilar tanta fuga, mudança e incerteza. Nômades contemporâneos têm uma visão macro do mundo. Temos muito acesso à muita informação. Terapia é importante para deixar o juízo no lugar.

Para além do lado reflexivo, nós também adentramos em questões mais práticas, sobre gestão de trabalho remoto. Falamos de algumas ferramentas que costumamos usar como o Google Drive, Zoom, Slack, Trello, Toggl, Timefy, Canva, Google Calendar entre outras.

O trabalho remoto é um desafio. Ter uma empresa nômade é um desafio ainda maior. Uma coisa é montar uma empresa levando a vida como um nômade, e a outra é gerir a empresa como nômade. De certa forma, a Expire vem tentando fazer as 2 coisas. A gente observa como vantagem começar algo do zero como nômade, pois apesar de exigir muito mais disciplina, não precisa passar depois por um processo de se adaptar à gestão remota. Isso a gente vê na prática com inúmeras empresas que foram pegas totalmentes despreparadas para essa nova realidade.

É muito fácil travar a comunicação quando se trabalha de forma remota. O segredo é que todo o trabalho seja feito da forma mais assíncrona possível, para que além dos naturais ruídos de comunicação, o fluxo de entregas não tenha gargalos. Assincronicidade deve ser incorporada à natureza no máximo de trabalhos possíveis.

Produzir esse episódio me deixou muito feliz, e escrever o capítulo 030 só aumentou minha felicidade, ao constatar que o episódio não ficou datado. Pelo contrário, foi até espantoso perceber como parecia que a gente já vinha se preparando para o atual cenário.

Enquanto Maria finaliza sua participação reforçando a importância de não alimentar medos e sempre agir com disciplina e responsabilidade, Lenilson é direto: “abracem a nova realidade do trabalho remoto”. Isso foi 7 meses antes do mundo fechar.

Não é que a gente fosse visionário nem nada. Apenas tentamos ler os sinais. Eles já estavam por aí. Trabalho remoto era a próxima grande revolução humana, só não contávamos com uma pandemia que nos empurraria de vez nessa situação.

A realidade é que a maioria dos talentos preferem trabalho remoto. Tem muita gente boa do Brasil trabalhando para fora do país. Essa questão de migração de talentos já é bem batida, mas o que não se costuma falar é que existem muitos talentos brasileiros trabalhando para fora, porém morando no Brasil. As pessoas vão viver onde é bom para viver, e não onde é bom para trabalhar. Ou seja, nomadismo é o futuro! Se você lê este parágrafo, você já abraçou essa realidade, agora faça o favor de falar desse livro para seus amigos sedentários!

Por fim, minha dica, para quem quer montar uma empresa com outros sócios é justamente ter muito carinho pela escolha dos seus sócios, afinal de contas tudo é tudo gente! Como eu disse lá no início, uma palavra que define esse capítulo: amor.

Gostou dessa reflexão? Ouça o episódio 030 na íntegra aqui:

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