Capítulo 039 - Beijo e Ciao, por Giovana Penatti
Entrevistada: Giovana Penatti
Episódio lançado em: 11/11/2019
Música de Abertura: - Bella Ciao (Na moral, são tantas versões dessa música que eu não sei qual foi a que eu usei… sorry)

“Sincronicidade” - Um conceito estabelecido pelo famoso psicólogo Carl G. Jung para definir acontecimentos que se relacionam, não por mera relação causal, mas por uma relação de significado. em outras palavras, sincronicidade pode ser aplicada quando eventos acontecem não por acaso, mas por que culminam no devido momento.

E por que eu começo falando de sincronicidade? Porque na semana que escrevo o capítulo eu terminei o livro Nômades Digitais (um guia blá blá blá…) do querido Matheus de Souza, que logo logo terá seu próprio capítulo. E no livro, uma das mensagens mais importantes para quem quer estabelecer um estilo de vida nômade é justamente adaptar sua senda para alguma forma de trabalho remoto.

Justamente nessa mesma semana em que escrevo o capítulo 039, termino o livro do Matheus, eu finalmente aumentei um pouco os meus clientes, alcançando uma meta financeira que eu tinha estabelecido para mim mesmo alcançar, antes de voltar a perambular pelo mundo. Isso me deu também a iniciativa para finalmente correr atrás de um “tátara-tátara-avô” italiano (o bisavô do meu avô), e tirar uma cidadania italiana a muito negligenciada.

A sincronicidade se deve porque o episódio 039 com a Giovana fala justamente de prospecção de clientes enquanto freelancer, se adaptar à realidade do trabalho remoto  e também sobre como se dá o processo de conquistar uma cidadania italiana, e por consequência, obter o 4º passaporte mais importante do mundo. Sincronicidade.

Escutar novamente a Giovana (inclusive no seu novo podcast) me passa uma leveza danada diante da pandemia. E olhe que ela esteve na Itália durante o auge da pandemia por lá. O que de certa forma, hoje já parece apenas uma gripezinha, como diria o infame chefe de estado tupiniquim. Ouvir a voz da Giovana novamente me passa uma esperança de que as coisas vão melhorar, ou pelo menos esse é o mood do momento que escrevo.

Formada em jornalismo, Giovana comenta que faz tudo que tenha haver com palavras. Textos, roteiros, revisões, traduções. Tudo que envolve pegar um computador e ir para um café passar horas teclando e bebericando o líquido.

Além de produzir palavras para outras pessoas, Giovana também capitaneia um canal no youtube, um podcast e um blog chamado “Beijo e Ciao”, onde ela dá dicas de viagens e também conta alguns causos pessoais e abre como se deu seu processo de resgate de sua cidadania italiana.

Aliás, se por um lado o esteriótipo da “água de côco com macbook em uma praia da tailândia” está cada vez mais batido, por outro lado essa história de “trabalhar de algum café por horas” de fato tem muito mais haver com o dia a dia dos ditos nômades digitais.

Para Giovana, ir para um ambiente mais movimentado como um café é essencial, pois por mais que ela goste de toda a privacidade e possibilidade de trabalhar de casa que o trabalho remoto permite, Giovana é deveras social e opta trabalhar de cafés simplesmente para estar mais próxima de outras pessoas.

Mais uma vez vem a tal da sincronicidade neste capítulo. Ontem eu estava escutando um episódio do Frilacast com a publicitária Jeska Grecco, host do também podcast “Imagina Juntas”. O contexto é que daqui a algumas horas eu vou fazer uma call com o Lucas Gini, host do Frilacast para assumir a edição do seu podcast.

Sempre que algum possível cliente entra em contato, eu busco ouvir ao menos um episódio para entender a luta em que eu estou entrando. No caso desse papo do Lucas com a Jeska Grecco, eles falaram justamente sobre trabalho remoto e como em algum momento trabalhando trancafiada de sua casa, a Jeska percebeu que estava enlouquecendo aos poucos, por se sentir isolada e querendo ver gente.

O trabalho remoto é solitário e trabalhar de cafés ajuda a equilibrar o balanço, e apesar destasituação, é uma realidade. Poucos dias antes de gravar o episódio com a Giovana, eu tinha assistido uma palestra com o professor Silvio Meira, fundador do écossistema de inovação pernambucano Porto Digital.

Na palestra Silvio falou que essa internet comercial que nós conhecemos hoje já tinha chegado ao Brasil à pelo menos 25 anos, ou seja, trabalhar de forma remota já era uma realidade para quem quisesse ver a muito tempo, e agora com o contexto da pandemia, houve uma aceleração do processo de migração dessas realidade.

Giovana já estava bem habituada. De certa forma, se adaptar ao remoto foi uma forma dela atingir o objetivo da cidadania europeia. Muitas pessoas sonham com essa cidadania para ter melhores oportunidades de trabalho, porém Giovana já chega à terra que plagiou o sorvete e o coronavírus da China com uma renda remota provinda de diversos clientes, que aliás, ela não gosta de chamar de clientes, mas sim de parceiros.

Tem dias que ela trabalha muito simplesmente para se permitir folgar dias estratégicos que ela deseja usar para razões extra trabalho. Autonomia de tempo e gestão do prórpio trabalho são vantagens do trabalho remoto.

Este último na realidade é uma faca de dois gumes, afinal no contexto do trabalho remoto o lado bom é que somos nosso próprio chefe, mas por outro lado, a faceta ruim é que nós também somos nosso próprio chefe! Você não tem um chefe atrás de você, pois o chefe está “dentro” de você!

Para além do senso de auto-responsabilidade que essa forma de trabalho exige, também podem haver vários gatilhos de ansiedade e excesso de auto-cobrança. De certa forma, eu vejo isso muito como um primeiro passo para a gente deixar de valorizar essa bobagem de ser workaholic.

O projeto Beijo e Ciao é para o público, mas também para a próprioa Giovana uma forma de desmistificar o processo de imigração italiana, mas também sobre como viajar é positivo e faz a gente ver o mundo de outra forma, e nos põe no caminho do “gibeback” , ou seja, a gente fica com um sentimento de retribuir para outras pessoas todo o privilégio que é viajar. De certa forma, é mais uma forma de por o juízo da Giovana no lugar para que ela reflita qual é o sentido das coisas e não entre simplesmente na pilha de trabalhar excessivamente.

Ela não ganha dinheiro com o Beijo e Ciao. Pelo contrário, ela investe muito tempo nisso, mas vale a pena, pois é uma excelente vitrine, que ja trouxe outros clientes, além de lhe ajudar a manter o hábito de uma rotina de disciplina. Começar é difícil, mas se a gente não começar a gente nunca vai chegar a lugar nenhum.

Segundo Giovana, a gente já faz tanta coisa na vida que a gente não gosta, é importante termos a iniciativa para fazermos algo que a gente  gosta.

E para quem deseja se jogar de vez na realidade do trabalho remoto, Giovana revela que plataformas de freela nunca funcionou com ela. O que realmente deu certo foi ter cara de pau de expor seu lado profissional, além de pedir para ser indicada. Ter coragem de mostrar a cara e dizer “tu tem um trampo aí pra mim, ou conhece alguém que tenha um trampo para mim?”. Por fim o importante é meter a cara para aprender. Pesquise muito para tomar suas decisões com o melhor embasamento possível, mas no fim, comece!


Gostou dessa reflexão? Ouça o episódio 039 na íntegra aqui:


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