Capítulo 041 - Nomad like a local, por Bárbara Medeiros e Pablo Magapo
Entrevistados: Bárbara Medeiros e Pablo Magapo
Episódio lançado em: 25/11/2019
Música de Abertura: - Café forte (Gragoatá)

Entre o capítulo anterior o atual, aconteceram muitas coisas bizarras e fantásticas para a história desse projeto.

Primeiro para lhe situar, provavelmente até o centésimo texto, existe um intervalo de meses entre o dia que o episódio foi ao ar e o texto em si. Naturalmente eu não lembro do que foi produzido e tenho que escutar novamente os episódios, anotando os pontos interessantes para tentar estruturar um texto agradável e fluído. A primeiríssima coisa que eu anotei para o texto 42 foi que essa foi a primeira vez que eu utilizei o nome “nomadesfera”.

O que aconteceu de tão bizarro entre o texto anterior e o atual? A Covid19 me pegou… literal e metaforicamente. No dia 31 de maio eu completei 30 anos e tive minha primeira febre de covid. Talvez eu já tenha falado isto em textos anteriores, mas confesso que não lembro, pois a pandemia já estava corroendo meu compromisso de criar conteúdo sobre nomadismo e mal lembro se continuei escrevendo após maio.

Voltei a escrever hoje, dia 28 de outubro.

Pois bem, ao longo de 2020, muitas ideias de projetos me passaram pela cabeça. O marco foi ao completar 1 ano do Podcast e registrar os domínios “nomadesfera” (.com e .com.br). Eu não fazia ideia do que poderia ser, e pensei várias coisas para esse nome. Cheguei a aprender programação no code com o Renato Asse que deu o ar da graça no episódio 70 do Podcast Nômade.

Pois bem, a pandemia corroeu meu ânimo por longos 5 meses, do qual eu parei com esse projeto, até voltar a encontrar sentido. Volto hoje a escrever o texto do episódio 41, com uma visão mais clara de como será meu terceiro ano do Podcast Nômade, e de como a Nomadesfera se encaixa nessa teia que eu estou construindo para dar estabilidade à minha vida nômade. Focando no que posso fazer hoje, e não no que eu gostaria que fosse.

E assim, meio travado do hábito da escrita, retomo a síntese da conversa com o Pablo Magapo e da Bárbara Medeiros, do projeto Nomad Like a Loca.

Anotando pontos interessantes sobre o episódio, registrei que no momento da entrevista, eles estavam em Montreal/Canadá, o que hoje, olhando com distanciamento temporal acho engraçado, pois eles já tiveram uma temporada em Portugal e voltaram ao Brasil. Sabe-se lá onde eles estarão enquanto você está lendo esse parágrafo.

Na ocasião da entrevista, o casla tinham acabado de lançar um podcast próprio: o “Perdidos”, do qual já me deu excelentes dicas de viagem.

Casal carioca, eles relatam que demoraram demais para iniciar sua jornada pelo mundo, em comparação à outros brasileiros, que os influenciaram, porém isso os deu uma maturidade do qual atualmente eles tentam compartilhar, por seus canais de comunicação.

A própria origem do nome Nomad like a local, reflete essa maturidade, ao se relacionar com o slow moviment, além do desejo interno de tentar estabelecer a maior imersão possível em outras culturas.

Para eles, as vantagens de começar a viajar tardiamente, foi que eles começaram a viajar já com dollar alto, ou seja, eles se prepararam para o pior.

Bem… É no mínimo interessante escrever essa frase com um distanciamento de 11 meses do momento em que o episódio 42 foi ao ar, pois honestamente, eu não sei se a preparação para o “pior” que Bárbara e Pablo comentaram em novembro de 2019, no que diz respeito a “dollar alto” contemplava a possibilidade do dollar chegar à fucking 6 reais atualmente (e com previsões nada otimistas para 2021…)

Honestamente, eu espero que você, caro leitor esteja no máximo rindo de nervoso, quando ler esse texto, pois isso significa que a inflação brasileira ainda não está no desespero total. Rir de nervoso é o pior cenário que eu desejo para todos nós, porque em outubro de 2020 está foda viu.

Mas voltando ao casal NLAL, outra vantagem de sentir que começaram a viajar tardiamente é que eles se deram o tempo mais que necessário para absorver lições compartilhadas por diversos outras pessoas que viajaram antes deles. Os viajantes antecessores aprenderam “na marra”, e espalham suas experiências pelas interwebs da vida. Meu trabalho com a nomadesfera compila muitos desses relatos e eu espero ajudar futuros viajantes.

Outra coisa presente neste capítulo foram nossas divagações a respeito do que é ter um estilo de vida nômade. Algo natural, por estarmos, enquanto sociedade, transitando para um modo de vida cujo nomadismo seja natural a mais e mais pessoas. A gente reflete muito o que é ser nômade porque ainda não é algo internalizado na diversas culturas. Se tornar nômade ainda é visto como um ato de extrema coragem. Para Bárbara, a única diferença entre ser nômade ou não ser, é que o nômade escolhe o lugar onde quer estar.

Mas apesar de enxergar o nomadismo com certa simplicidade, Bárbara e Pablo também relataram que muitas pessoas os enxergam como pessoas ricas. O bonito da situação é que na prática eles simplesmente mantiveram o custo de vida que eles já tinham quando moravam em Botafogo, no Rio de Janeiro.

A ironia é que não são só pessoas de fora (do nomadismo) que os enxergam como ricos. Eu mesmo admito que por muito tempo os vi dessa forma. Ainda mais após eles abrirem seus custos de vida em um vídeo em seu canal no youtube. Eles simplesmente tinham um custo de vida 6 vezes maior que eu meu… Me impressionei ainda mais ao saber que eles conseguiram economizar um orçamento equivalente a 2 anos de custos mensais antes mesmo de viajar.

Mais uma vez acho maravilhoso ver como o distanciamento temporal nos traz maturidade. Hoje tenho neles minha referência para a vida que quero ter. E digo isso em termos iniciais! O mínimo que projeto é uma vida no patamar financeiro próximo ao deles… O mínimo, e não por uma questão de comparação direta, mas simplesmente por entender que por mais que existam tantas possibilidades de viajar economicamente, o Heitor de 30 anos já faz questão de um conforto que mochileiros mais jovens muitas vezes abdicam.

E pode parecer bobagem, mais conforto aumenta nossa sensação de segurança e isso é muito importante para manter o equilíbrio mental durante a viagem… Ao menos é uma treta a menos para se preocupar. Pablo e Bárbara se sentiram seguros para viajar quando constataram ter 2 anos de grana.

Além disso a decisão pelo estilo slow travel também ajuda a aumentar a longevidade da viagem, e isso era importante para eles. Ao acompanhar muita gente que se diz nômade, trocando de lugar a cada semana, Bárbara e Pablo se perguntam como essas pessoas vão se manter a médio prazo?

Para Pablo e Bárbara, o nomadismo surgiu como alternativa a 1 pergunta primordial: Qual é o melhor lugar para viver?

Adaptar esse momento da vida ao nomadismo é uma ótima oportunidade para para descobrir um bom lugar para assentar no futuro. A mentalidade “like a local” também ajuda nesse processo, pois segundo Pablo, quanto mais tempo se vive em um local, mais oportunidades se observa de gastar menos naquele local.

Passar sem tanta pressa por um local faz a gente perceber aqueles momentos em que o preço não está configurado para turistas. Por exemplo, tem dias que museus são mais baratos e muitas vezes só se descobre essas vantagens locais “se dando” tempo no no lugar.

Esse episódio em especial também foi deveras rico no que diz respeito a saúde mental. A experiência de viagem tem sido até um pouco mais intensa para Bárbara, pois diversos pontos fizeram com que ela percebesse que estava com depressão. Chegou ao ponto dela não saber mais tomar decisões.

Não querer fazer nada, sem nenhum motivo aparente era algo constante, e que obviamente acabou envolvendo Pablo no processo. Eles chegaram a conclusão que o melhor era tentar refletir se Bárbara tinha motivo claro para não fazer as coisas, e caso não fosse constatado nada, eles se forçariam a fazer o que tivesse de ser feito, para assim, não deixar a estagnação provocada pela depressão dominar.

O que ajudou Bárbara no processo foi ler textos sobre nomadismo. Ela leu muito o Matheus de Souza. Na época eu não fazia ideia de quem ele era, e confesso que só lembrei que ele foi citado, quando ouvi novamente esse episódio. Hoje, Matheus de Souza é uma das minhas maiores influências brasileiras em vida nômade.

Além disso, essa rede de apoio de figuras que vamos conhecendo na estrada vão dando suporte, mesmo de forma remota ajuda demais nosso emocional. Me ajuda todo dia e confesso ficar feliz de articular a nomadesfera. Claro que tenho planos de monetizar meus esforços para atingir recorrentemente aquele dito conforto, porém existe uma consequência tangencial muito importante… A comunidade. É muito bom nos encontrarmos nas outras pessoas. Poder conversar com pessoas que tem uma visão de mundo parecida faz com que a gente não se sinta um peixe fora d’água.

Além disso, Pablo recomenda a prática de olhar para si, ao meditar. Isso faz com que gente acaba se conhecendo mais e nos deixando mais atentos para perceber os gatilhos subjetivos da vida, que ativam nossas emoções boas e ruins.

Eu sempre gosto de pensar que viajar internamente é a última fronteira.

Gostou dessa reflexão? Ouça o episódio 041 na íntegra aqui:


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