Podcast Nômade 031: Aspirante a nômade, por Rafael Santos
Entrevistados: Rafael Santos
Episódio lançado em: 16/09/2019
Música de Abertura: - Monstro Invisível (O Rappa)

Você já ouviu alguém dizer que “todo mundo tem uma história para contar”? É bonito não é? É inspirador. Mas uma coisa que eu percebo é que nem todo mundo pratica contar sua boa história.

Um fato que me marcou muito no final do episódio 024 com Paulo Maier foi quando ele me agradeceu simplesmente por ouví-lo, por lhe dar um pouco de atenção. Outro dia eu recebi um elogio de um ouvinte chamado Bruno Soda em um dos meus artigos escritos, onde ele dizia que eu conseguia tirar conteúdos com profundidade de diversos entrevistados.

Eu concordo que todo mundo tem uma boa história para contar sim, mas por experiência própria, percebo que nem todo mundo pratica contar a própria história e eu, na posição de anfitrião do Podcast Nômade me vejo em uma posição onde posso auxiliar algumas pessoas. O passageiro do episódio 031 talvez seja um desses casos.

Na época em que eu entrevistei o Rafael Santos, eu ainda costumava publicar os episódios onde as thumbnails eram as fotos dos convidados. O Rafael era tão tímido que me pediu para encontrar uma foto genérica para seu episódio. Se a conta do instagram do Podcast Nômade no instagram (@podcastnomade) ainda estiver ativa, você pode ir lá conferir por si mesmo do que eu estou falando. Talvez Rafael esteja menos tímido atualmente, talvez ele não se importe com isso. Eu só sei de uma coisa, ele é um cara muito gente boa.

Carioca desses que zera o sotaque, o Rafael que eu entrevistei é um freelancer gestor de tráfego, que por muito tempo exerceu a profissão de assistente de câmera em uma grande emissora de televisão. Eu fiquei com meus botões imaginando que seria a Rede Globo, mas ele não revelou durante o episódio, e eu tive uma certa preguiça de consultá-lo depois enquanto escrevia o capítulo.

Ele não gostava de trabalhar na emissora. Apesar dele afirmar o quão bons seus antigos empregadores foram com ele, Rafale sentia uma desconexão com aquele ambiente de trabalho. Se você já passou por um lugar do qual você não consegue se enxergar no futuro trabalhando alí, você sabe a angústia que Rafael viveu por muito tempo.

A chave virou quando em um visível momento de depressão, durante suas férias, Rafael teve a oportunidade de se permitir uma primeira viagem internacional, até Ushuaia, extremo sul da Argentina. Foi quando ele sentiu que o que ele queria mesmo  fazer da sua vida era viajar. Quando voltou, Rafael começou a pensar como poderia mudar de vida.

Algumas pessoas são impulsivas e permitem que sua vida seja guiadas pela intuição, outras pessoas são mais cautelosas e se planejam nos máximos detalhes. Intuitivos e cautelosos estão sujeitos aos benefícios e prejuízos de suas atitudes e longe de mim ter que escolher qual é a melhor forma de você conduzir sua vida, mas o que observei era que Rafael era visivelmente uma pessoa cautelosa.

Quanto ele voltou da Argentina, ele começou a tentar estruturar um trabalho remoto, estudando muito como ele poderia adaptar sua vida à esse novo estilo de trabalho. Meio por acaso ele caiu no Podcast Nômade e se deu ao trabalho de maratonar todos os episódios até que o seu foi enfim gravado (obrigado por essa garoto!).

Aqui no capítulo 031, eu já não lembro se disse, mas aproveito para reforçar, eu acho o nome “Podcast Nômade” horroroso. Ele é muito sem graça. Mas confesso que na sua simplicidade, ele acaba sendo útil para SEO (search engine optimization). Toda semana aparece alguém me dizendo bem displicente: “eu estava rodando na internet, procurando um podcast, sobre vida nômade, aí digitei podcast nômade e achei o seu!” . Hoje em dia eu me pergunto se alguém por aí acha esse nome brilhante. Eu ainda não acho, mas que é útil, é sim!

Rafael ainda não tinha iniciado oficialmente sua vída como nômade, mas foi bem maravilhoso, justamente porque ele ainda estava nos seus primeiros passos. Por sua característica cautelosa, eu perguntei como ele vinha se preparando, e por ele estar justamente vivenciando essa preparação, ele foi categórico!

1) Aumentar clientes: Assim que voltou de Ushuaia, Rafael tinha passado por uma fase onde ele tentou aprender a operar no mercado financeiro. Não fluiu para ele, até que ele teve a oportunidade de começar um trabalho como gestor de tráfego. Esse sim deu certo com ele, que vinha se esforçando para ter clientes que lhe permitissem uma boa renda remota.

2) Ouvir muito conteúdo: Aqui eu me orgulho. O Bruno César do episódio 5 (Camino de Santiago) passou por uma mentoria de life hacker e teve que refletir sobre 4 possíveis caminhos. Naquela época este podcast iniciava e eu não imaginava o quão privilegiado eu estava sendo por não ter segmentado o podcast para “nômades digitais” ou “mochileiros”. Eu estou criando uma massa de conteúdo para pessoas poderem experimentarem e entenderem qual é o seu próprio estilo de nomadismo, ouvindo histórias de outros. Eu me orgulho disso e acho que dei uma boa ajuda para o Rafael. Mas para além de mim, ele estava consumindo livros e youtubers. Fazendo uma pesquisa ampla para amortizar quaisquer eventualidades.

3) Ter pelo menos 6 meses de grana: Essa aqui tinha sido um calo na minha vida até meus 30 anos. Até meus 30 eu não sei o que eu fiz da minha vida quando o assunto era grana. Sério. Era bizarro. Eu nunca fui uma pessoa gastadeira, mas simplesmente nunca me sobrou dinheiro. Pouco antes dos 30 uma bem simples mudou. Eu simplesmente comecei a poupar. Tipo… poupar sem ter nenhuma razão para gastar. De outras vezes eu juntava com alguma finalidade. Dessa vez eu simplesmente comecei a tentar segurar o máximo que desse. Tipo, literalmente o máximo. Eu sei que poupar é apenas um passo para saúde financeira, mas deixar dinheiro parado é estupidez. Mas de qualquer forma, era um avanço. Eu comparo isso com uma pessoa que quer correr e parar de fumar. O Rafael estava nos seus 28. Já não era tão novo, mas ainda sim, começou antes de mim! Eu senti orgulho.

4) Começar pela América Latina: Aqui é por ser mais barato mesmo. Após 2 anos pesquisando estilos de vida nômade, eu já ouvi essa dica várias vezes “experimente a vida nômade fazendo pequenas viagens e vá aumentando com o tempo”. Rafael estava nesse caminho. Começar pelos países da América Latina é uma forma de experienciar o estrangeiro sem tantas burocracias e dentro de uma economia próxima da brasileira.

No mais eu ainda vivenciava os momentos baixos de estar de volta ao Brasil. Eu reclamei sobre como parece que minha vida parou depois de voltado. Isso fez Rafael se sentir mais a vontade para expor que passou por uma fase mergulhado em depressão e foi sair do Brasil que levantou ele de novo.

Eu relembrei as palavras de um amigo meu chamado Allison Lima, sobre como eu estava na merda e Allison me disse que viajar não iria resolver nada. A verdade é que a viagem te liberta de problemas locais, mas pode te trazer novos problemas. Problemas emocionais que ouvimos muito por aí, mas nunca sabemos como será nossa reação quando acontecer conosco.

Eu confesso que gostei de mais de produzir este conteúdo. Na época eu achei muito útil, ainda mais sendo feito por um convidado que ainda não tinha iniciado sua vida nômade. Eu confesso que fiquei com medo se as pessoas da audiência iriam descredibilizar as dicas para iniciar uma viagem só pelo fato de Rafael ainda não ter posto os pés na estrada, mas ouvindo novamente seu episódio, eu vejo que não ficou datado, muito pelo contrário, me serviu até de reforço, visto que eu mesmo agora não apenas ouvia, mas também praticava essa preparação para sair do Brasil novamente.

E por fim, para me surpreender ainda mais, logo eu que tinha percebido tanta cautela nas palavras de Rafael, fui agraciado por uma mensagem final de pura coragem. ”Nunca desista de algo que você passa um segundo sem pensar! Procure correr atrás dos seus sonhos, pois a vida é uma só. Não se arrependa de não ter vivido!”.

Não me arrependerei Rafael. Prometo.

Gostou dessa reflexão? Ouça o episódio 031 na íntegra aqui:

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